Tesão por doce: o que essa vontade revela sobre o seu corpo e suas emoções

Um desejo que quase todo mundo conhece

Tesão por doce… você também sente?
Aquela vontade de comer algo açucarado, quase incontrolável, que parece vir do nada. A gente ri, diz que “bateu a louca do doce”, mas, no fundo, muita gente sente culpa ou confusão diante desse desejo.

Como nutricionista comportamental e integrativa, vejo diariamente pessoas que chegam ao consultório com essa sensação: “não consigo me controlar”, “é mais forte do que eu”, “parece que preciso do doce pra viver”. E a verdade é que, na maioria das vezes, não é apenas sobre o doce.

Essa vontade pode ser um pedido do corpo, sim — de energia, de prazer, de pausa. Mas muitas vezes, o tesão por doce é um pedido da alma. Um grito silencioso por mais contato, mais expressão, mais presença.

A cultura das dietas nos ensinou a olhar para o doce como algo proibido, como um vilão. E, junto com isso, nos ensinou a olhar para o desejo com culpa. Mas o desejo, seja ele sexual, afetivo ou gustativo, é a energia da vida. Ele fala sobre o que pulsa dentro de nós, sobre o que está reprimido e precisa de espaço pra existir.

Então, antes de brigar com o doce, eu te convido a olhar para ele com curiosidade. Porque talvez ele esteja tentando te contar algo muito mais profundo do que parece.

O que há por trás dessa vontade

Quando falo de tesão por doce, não estou falando só de gula. Estou falando de fome emocional, de uma vontade que nasce em outro lugar do corpo — aquele que sente falta de prazer, de acolhimento ou de movimento.

Em muitos casos, o doce é o caminho que o corpo encontra pra liberar o que está sendo reprimido.
Pessoas muito controladas, exigentes, que se cobram demais, costumam buscar no açúcar uma forma de respiro. É como se o corpo dissesse: “deixa eu sentir prazer em alguma coisa!”.

Já atendi muitas mulheres que vivem constantemente no modo “sobrevivência” — trabalhando demais, cuidando de todos, tentando dar conta de tudo. E quando o corpo não aguenta mais, ele pede um doce.
Mas o pedido, na verdade, é por descanso, afeto, toque, prazer, presença.

Quando o tesão por doce se manifesta de forma constante, é importante investigar:

  • O que tem me faltado?

  • Onde o prazer foi cortado da minha rotina?

  • O que eu tenho deixado de sentir?

O corpo é sábio. E quando o prazer é negado em uma área da vida — seja no afeto, na sexualidade, na criatividade ou na expressão — ele encontra uma fresta pra sair. E, muitas vezes, essa fresta é o doce.

Por isso, quando o desejo por doce se torna intenso ou compulsivo, o convite é olhar para o significado emocional por trás dele. Porque, na verdade, não é sobre o doce — é sobre o que o doce representa.

Quando o tesão por doce é fuga (e não prazer)

Existe uma diferença importante entre comer com prazer e comer pra fugir de algo.
A fome emocional se manifesta quando o alimento passa a ocupar o lugar de algo que não foi vivido: um sentimento não nomeado, uma ausência, um vazio existencial.

Quando a vontade de doce é uma fuga, geralmente ela vem acompanhada de urgência, de ansiedade, de uma sensação de “não consigo parar”. É como se o corpo dissesse: “me deixa sentir alguma coisa — qualquer coisa”.

Nesses casos, o tesão por doce é uma forma de anestesiar a dor.
Mas, como toda anestesia, ela tem efeito curto. E logo depois vem o peso, a culpa, o julgamento.

É importante entender que a comida nunca é o problema em si — ela é um sintoma, uma linguagem. Quando o corpo fala através do doce, ele está pedindo algo que não é açúcar.
Talvez esteja pedindo conexão, liberdade, toque, descanso, amor, prazer.

Na nutrição comportamental, olhamos para o comer não como um ato isolado, mas como parte da história da pessoa. Porque cada escolha alimentar é uma forma de comunicação com o mundo e consigo mesma.
E, por isso, o doce não deve ser combatido com mais controle, mas com escuta e acolhimento.

Quando o desejo por doce é uma fuga, a cura não está em cortar o açúcar. Está em reconhecer o que dói, dar nome aos sentimentos, permitir-se sentir — e, assim, deixar que o corpo volte a se expressar de forma plena e consciente.

Quando o doce é prazer (e não problema)

Mas nem todo tesão por doce é um problema.
Às vezes, ele é só prazer. É o corpo dizendo “quero sentir”, “quero celebrar”, “quero viver”.

Comer pode ser uma forma linda de expressão sensorial. A comida é uma das experiências humanas mais completas porque envolve os cinco sentidos: visão, olfato, tato, paladar e audição.
E, quando nos permitimos sentir cada um deles, o comer se torna um ato de presença.

Um pedaço de bolo pode ser uma memória de infância, um afago, um momento de pausa. Pode ser uma forma de partilhar a vida com quem se ama.
Quando escolhemos o doce com consciência, quando o saboreamos de verdade, ele se transforma em nutrição afetiva.

Eu gosto de dizer que o problema nunca está no doce em si, mas na forma como nos relacionamos com ele.
Se o doce é vivido como culpa, restrição ou fuga, ele vira sofrimento.
Mas, se o doce é vivido como escolha, curiosidade e prazer, ele vira liberdade.

Comer é também um ato de autonomia.
É um “sim” que damos ao corpo, um gesto de poder sobre o que entra pela boca. É a expressão da nossa vontade, dos nossos gostos, da nossa história.
E, nesse lugar, o tesão por doce pode ser uma forma de reconexão com o prazer de existir — não apenas com o prazer de comer.

O corpo fala: escute antes de julgar

Na nutrição comportamental, trabalhamos com a ideia de que o corpo fala o tempo todo.
Cada desejo, cada sensação, cada vontade é uma mensagem. O problema é que, na correria do dia a dia, aprendemos a ignorar essas mensagens e a seguir regras externas — de dieta, de padrão, de comportamento.

Mas o corpo sempre vai encontrar uma forma de se expressar.
E o tesão por doce pode ser justamente uma dessas expressões.

Por isso, antes de se culpar, pare e escute.
Quando essa vontade aparece? O que você estava sentindo antes dela surgir? Que tipo de sensação ela traz?
Talvez você perceba que o doce vem em momentos de solidão, de estresse, de cobrança.
Ou, às vezes, vem em momentos de alegria — e tudo bem.

O importante é olhar para esse desejo com curiosidade e amorosidade.
Porque é só quando você escuta o corpo que ele para de gritar.

Um exercício simples que costumo propor às minhas pacientes é o seguinte:
Antes de comer o doce, respire fundo e se pergunte:
“O que realmente estou precisando agora?”

Talvez a resposta seja “um abraço”, “descanso”, “companhia”, “tocar o corpo com carinho”.
E, se ainda assim você quiser o doce — coma. Mas coma com presença, com prazer, com gratidão.

Esse é o verdadeiro sentido da nutrição comportamental e integrativa:
reconectar o comer com o sentir, o corpo com a alma, o prazer com a presença.

Comer é sentir — e sentir é se permitir viver

O tesão por doce é, muitas vezes, o lembrete de que estamos vivos.
É o corpo dizendo que quer experimentar, quer prazer, quer trocas.
E tudo o que a gente reprime — o desejo, o afeto, o toque, o movimento — vai encontrar uma forma de se manifestar.

Então, se o doce aparece, não o veja como inimigo. Veja-o como um convite:
um convite pra olhar pra dentro, pra se escutar, pra resgatar o prazer de viver.

Na minha prática como nutricionista comportamental e integrativa, aprendi que o comer é um espelho da vida.
Quando estamos conectados conosco, o comer flui, é leve, é consciente.
Quando estamos desconectados, o comer vira compensação.

O caminho, então, não é cortar o doce — é reconectar-se com o prazer em todas as áreas da vida.
Prazer em se relacionar, em descansar, em se tocar, em criar, em existir.

Porque o corpo é sábio.
E o doce, quando chega, pode ser só a forma mais simples de lembrar que você merece sentir prazer — de todas as formas, e não apenas pelo açúcar.

Conclusão: o doce como espelho do prazer

O tesão por doce não é um defeito.
É uma expressão. Uma linguagem. Uma fresta por onde o corpo fala o que a mente tentou silenciar.

A questão não é eliminar o desejo, mas compreendê-lo.
Não é lutar contra o corpo, mas voltar a habitar o corpo.
E, nesse processo, o doce pode ser tanto um desafio quanto um aliado.

Quando comemos com presença, quando escolhemos com liberdade, quando sentimos com consciência — o doce deixa de ser fuga e se transforma em prazer genuíno.

E é nesse ponto que a nutrição comportamental e integrativa faz sentido:
porque ela nos ensina que saúde não é ausência de desejo, mas equilíbrio entre o sentir e o nutrir.

Então, da próxima vez que bater aquele tesão por doce, antes de se culpar, escute.
Talvez o que o seu corpo esteja pedindo não seja açúcar — mas um pouco mais de vida. 🍫💫

Vamos juntas? 🧡

Com carinho,
Júlia Menezes
Nutricionista Comportamental e Integrativa

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Júlia Menezes

Nutricionista pela UFOP, Terapeuta corporal e Doula, com formações diversas em Terapia Cognitiva Comportamental, Saúde da Mulher e Ginecologia Natural, Terapia Cannábica, Terapia Sensorial. Propõe uma nutrição integrativa e gentil, que valoriza comida de verdade e respeita a história e ritmo de cada um. Sem dietas restritivas, tem como foco acolher o porquê das escolhas alimentares e como torná-las mais nutritivas e gostosas, envolvendo o contexto de vida, hábitos, sentimentos e demandas em saúde. Não se trata apenas de alimentação, mas de tudo que de alguma forma está relacionado a ela, sendo o conhecimento, consciência e prazer, as chaves para se estar em paz com a comida e corpo.

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