Crenças limitantes na alimentação: como elas sabotam sua saúde e bem-estar

1. Crenças limitantes e a alimentação: qual é a relação?

Já aconteceu com você de planejar uma mudança na alimentação, se preparar, ter acesso à informação certa, até se sentir motivado(a)… mas algo te brecar, te paralisar por dentro?

Isso não acontece por acaso. Todos nós, de alguma forma, carregamos crenças limitantes na alimentação — ideias disfarçadas de verdades que aprendemos lá atrás, ainda na infância, e que continuam controlando nossas decisões sem percebermos.

Essas crenças moldam silenciosamente a forma como nos relacionamos com a comida, com o corpo e com o autocuidado. E o mais desafiador? A gente acredita nelas como se fossem fatos.

Meu papel como nutricionista comportamental e integrativa é te ajudar a reconhecer essas amarras invisíveis e, aos poucos, criar espaço para uma nova forma de cuidar da sua saúde — com consciência, verdade e liberdade.

2. Exemplos comuns de crenças que afetam a sua relação com a comida

Não é difícil encontrar crenças limitantes na alimentação na nossa rotina. Elas aparecem em frases simples, repetidas tantas vezes que ganham força de regra:

  • “Não pode deixar comida no prato.”
  • “Se eu abrir um pacote, não consigo parar.”
  • “Todo mundo consegue fazer dieta, só eu não tenho força de vontade.”
  • “Meu metabolismo é lento, nada funciona pro meu corpo.”
  • “Comida saudável é sem graça.”
  • “Eu não mereço gastar dinheiro com um bom prato ou comer em uma louça bonita.”


Essas frases parecem inofensivas, mas têm impacto direto no dia a dia. Elas moldam escolhas, geram culpa, aumentam o sofrimento e bloqueiam tentativas de mudança.

É importante entender: nenhuma dessas ideias nasceu com você. Elas foram ensinadas e repetidas por alguém, e agora fazem parte de um ciclo que pode — sim — ser transformado.

3. Por que identificar uma crença limitante é tão importante?

Porque você só pode mudar aquilo que consegue ver.

Quando uma crença limitante na alimentação opera no piloto automático, sua força está justamente na invisibilidade. Ela soa como uma explicação lógica (“não consigo emagrecer porque meu metabolismo é ruim”) — quando, muitas vezes, o que está acontecendo é uma resistência emocional ao processo de mudança, baseada em experiências ruins passadas.

Identificar uma crença é como acender a luz num quarto escuro: você começa a enxergar os obstáculos com clareza, e isso te dá poder de escolha.

💡 “Será que esse pensamento ainda faz sentido pra quem eu sou hoje?”

💡 “Será que repetir isso me aproxima ou me afasta da vida saudável que eu desejo?”

💡 “De onde vem essa frase, essa crença? E ela ainda precisa morar em mim?”

Ter esse olhar investigativo é um passo valente. E libertador.

4. Como as crenças sabotam mudanças, mesmo quando há vontade e conhecimento

Talvez você já tenha tentado mudar seus hábitos algumas vezes. Comprou um planner, seguiu perfis de nutrição, fez o próprio cardápio, montou listas de mercado, até começou treinos…

Mas, no meio do caminho, algo trava. E você pensa: “por que eu não consigo, se eu tenho tudo o que preciso?”

Essa sensação é comum e muitas vezes angustiante. E a resposta pode estar nas crenças limitantes na alimentação que você carrega. Mesmo quando você tem as ferramentas certas, essas crenças atuam como barreiras invisíveis, sempre lembrando que “você nunca foi disciplinado”, que “você sempre desiste” ou que “você não leva as coisas até o fim”.

É como se, lá no fundo, você não acreditasse ser capaz. E é justamente por isso que a nutrição comportamental é tão necessária nesse processo: ela te ajuda a enxergar — e desmontar — essas armadilhas mentais com cuidado, e não com cobrança.

5. O impacto da cultura, da família e das memórias na construção alimentar

A alimentação vai muito além de nutrir. Nela está o afeto, o cuidado, a celebração. Mas também podem estar a punição, o controle e a cobrança.

Muitas das nossas crenças limitantes na alimentação nasceram nas nossas primeiras relações:

  • A avó que dizia que “ninguém se levanta da mesa sem limpar o prato.”
  • A mãe que premiava com doces e castigava com “comida saudável”.
  • O parente que elogiava quando você “come pouco”.
  • O pai que dizia que “homem de verdade não deixa sobrar nada”.
  • A sociedade que critica corpos reais e romantiza restrição.


Quando crescemos ouvindo essas mensagens, elas viram verdades. Só que a verdade de ontem não precisa funcionar pra você hoje.

Se alimentar de forma saudável e consciente também significa questionar padrões antigos e reconstruir os seus próprios — com mais presença e liberdade.

6. Tomar consciência e agir: o que fazer diante de uma crença identificada

Depois que você reconhece uma crença limitante na alimentação, surgem dois desafios:

  1. Não rejeitá-la com raiva
  2. E também não voltar ao piloto automático com ela

Você pode experimentar uma nova forma de se relacionar com ela: a curiosidade.

Em vez de dizer “não quero mais pensar assim”, experimente perguntar:

  • “Ok… de onde vem isso?”
  • “Por que eu acredito nisso há tanto tempo?”
  • “Que experiências reforçaram essa ideia?”
  • “Quem me ensinou isso? Isso ainda serve para minha vida hoje?”

Aos poucos, essas conversas internas vão abrindo espaço para o pensamento crítico. E o pensamento crítico abre espaço para a mudança de comportamento.

Mudança verdadeira começa na mente — e acontece no corpo com o tempo, com presença e com prática.

7. A importância da presença e do exercício contínuo na transformação de hábitos

Desfazer crenças limitantes na alimentação é um processo. E como todo processo, ele exige algo muito precioso: presença.

Você não vai mudar tudo de um dia para o outro. E tudo bem. Toda transformação profunda envolve fases: desconforto, negação, resistência, insight, prática… até a verdadeira incorporação.

Por isso, eu sempre digo para meus pacientes: celebre cada pequeno avanço. Às vezes, o maior progresso é conseguir deixar um restinho de comida no prato. Ou preparar uma refeição só para si com cuidado — e sentir prazer nisso.

Esses gestos são simbólicos: carregam a mensagem de que você está ocupando seu espaço com mais verdade e menos automatismo.

E isso, por si só, já é cura.

8. Por que a mudança alimentar profunda também pode precisar de terapia

Muita gente acha que “dar conta sozinho” é sinônimo de força. Eu discordo. Pra mim, força é reconhecer quando preciso de suporte.

Quando falamos de crenças tão enraizadas — ligadas à infância, autoestima, regras familiares e identidade — a terapia se torna um recurso essencial.

Psicólogos(as) especializados(as) em comportamento alimentar ou psicologia integrativa podem te ajudar a destrinchar aspectos emocionais que a nutrição sozinha não consegue alcançar — e assim, os dois caminhos atuam juntos: corpo e mente.

Você não precisa caminhar sozinho(a). E buscar ajuda, ao contrário do que muitos pensam, não é sinal de fraqueza. É sinal de coragem.

9. Seu próximo passo: gentileza, clareza e acolhimento

Se você chegou até aqui, já deu o primeiro passo mais importante: o da consciência.

Agora, te convido a um pequeno exercício:

🖋️ Pegue um papel e anote 3 frases que você repete pra si mesmo(a) na alimentação.
👀 Escolha uma delas para observar no seu dia a dia.
🧠 Quando ela surgir de novo, não a ignore: dialogue com ela.
💬 Pergunte: “Será que você ainda serve pra mim?”
💛 Se possível, troque por uma nova narrativa — mais gentil.

E se você quiser ajuda para caminhar nesse processo, saiba que estou aqui. Meu trabalho é te acompanhar com escuta sensível, profundidade e estratégias práticas para construir uma relação mais neutra, prazerosa e verdadeira com a comida.

Conclusão

As crenças limitantes na alimentação não são defeitos. São aprendizados que, um dia, fizeram sentido — mas talvez agora estejam te impedindo de seguir em frente.

E o mais bonito é que elas podem ser dissolvidas. Com tempo, com amor próprio e, muitas vezes, com apoio.

Você merece uma alimentação com mais liberdade, sabor e presença — e menos culpa, rigidez e dor.

Vamos juntas? 💛

Com carinho,
Júlia Menezes
Nutricionista Comportamental e Integrativa

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Júlia Menezes

Nutricionista pela UFOP, Terapeuta corporal e Doula, com formações diversas em Terapia Cognitiva Comportamental, Saúde da Mulher e Ginecologia Natural, Terapia Cannábica, Terapia Sensorial. Propõe uma nutrição integrativa e gentil, que valoriza comida de verdade e respeita a história e ritmo de cada um. Sem dietas restritivas, tem como foco acolher o porquê das escolhas alimentares e como torná-las mais nutritivas e gostosas, envolvendo o contexto de vida, hábitos, sentimentos e demandas em saúde. Não se trata apenas de alimentação, mas de tudo que de alguma forma está relacionado a ela, sendo o conhecimento, consciência e prazer, as chaves para se estar em paz com a comida e corpo.

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