Mounjaro para Emagrecer: Riscos, Reganho de Peso e a Importância da Nutrição Comportamental

Introdução: A Febre do Mounjaro e das "Canetas" para Emagrecimento

Que o Mounjaro para emagrecer é a medicação do momento, todo mundo já está sabendo, né? Hoje é ele, assim como já foram tantos outros há alguns anos atrás. A promessa de emagrecimento rápido e sem esforço é sempre tentadora, especialmente em uma sociedade que valoriza corpos magros e resultados instantâneos.

Mas o que a gente precisa estar atenta é que a maior parte das pessoas que estão fazendo uso dessa medicação são pessoas que não precisam estar se medicando para emagrecer. E aí está o risco. Vocês viram, né, a notícia no último domingo no Fantástico, que estão começando a aparecer casos de pancreatite aguda e até mortes, e todos esses casos foram de pessoas que estavam fazendo uso da caneta.

Gente, quando vocês vão entender que, para emagrecimento, a gente precisa mudar o estilo de vida? Claro que existem algumas pessoas — eu mesma tenho pacientes que fazem uso do Mounjaro e com indicação adequada — mas, é claro, fazendo acompanhamento médico sério, com responsabilidade, e também com nutricionista.

Neste artigo, quero conversar com você de forma honesta sobre os riscos, as indicações reais e, principalmente, sobre o que realmente funciona a longo prazo: mudança de hábitos com base na nutrição comportamental.

Os Riscos do Uso Indiscriminado de Medicações para Emagrecimento

Mexer com metabolismo, mexer com insulina, com captação de glicose, com percepção de fome e saciedade, gente, é muito perigoso. É perigoso porque você vai mostrando para o seu corpo um tipo de metabolismo que não é o real.

E aí, quando você para de tomar a medicação — porque um dia você vai parar —, esse metabolismo tende a voltar ao que era antes. E, por isso, o reganho de peso é quase unânime em praticamente todos os casos.

Além disso, o uso do Mounjaro para emagrecer sem indicação adequada pode causar efeitos colaterais graves, como:

  • Pancreatite aguda (inflamação do pâncreas)
  • Náuseas intensas e vômitos
  • Desidratação
  • Hipoglicemia (queda brusca de açúcar no sangue)
  • Perda de massa magra acentuada
  • Desnutrição
  • Em casos extremos, morte

Esses riscos não são exagero. São realidades que já estão sendo documentadas e que precisam ser levadas a sério. A questão não é demonizar a medicação, mas sim entender que ela não é para todo mundo e que precisa de acompanhamento rigoroso.

Quando o Uso de Medicações para Emagrecimento É Realmente Indicado

Claro que a medicação é indicada para muitas pessoas, mas a grande maioria não está fazendo uso de forma adequada. O Mounjaro para emagrecer pode ser prescrito em casos específicos, como:

  • Obesidade grau II ou III (IMC acima de 35 ou 40)
  • Resistência insulínica ou diabetes tipo 2
  • Comorbidades relacionadas ao excesso de peso (hipertensão, dislipidemia, apneia do sono)
  • Quando outras estratégias (mudança de estilo de vida, acompanhamento nutricional e atividade física) não trouxeram resultados suficientes

Nesses casos, a medicação pode ser uma ferramenta auxiliar importante. Mas — e esse “mas” é fundamental — ela precisa ser acompanhada de:

  1. Avaliação médica completa, com exames laboratoriais e histórico de saúde
  2. Acompanhamento nutricional, com foco em nutrição comportamental e construção de hábitos sustentáveis
  3. Prática regular de atividade física, especialmente treino de força para preservar massa magra
  4. Monitoramento contínuo de efeitos colaterais e ajustes na dosagem, quando necessário

Sem isso, o uso do Mounjaro para emagrecer pode se tornar um tiro no pé, trazendo mais prejuízos do que benefícios.

Como as Medicações Alteram o Metabolismo de Forma Artificial

O Mounjaro atua como um agonista do receptor GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), que é um hormônio envolvido na regulação da glicose, da insulina e da saciedade. Em termos práticos, ele:

  • Aumenta a liberação de insulina pelo pâncreas
  • Reduz a liberação de glucagon (que eleva a glicose)
  • Retarda o esvaziamento gástrico (você se sente satisfeito por mais tempo)
  • Diminui a percepção de fome

Tudo isso pode parecer vantajoso, mas é importante entender que esses efeitos são artificiais. Ou seja, o corpo não está naturalmente aprendendo a regular fome, saciedade e escolhas alimentares. Ele está sendo “enganado” pela medicação.

Na abordagem da nutrição comportamental, o foco é justamente o oposto: ensinar o corpo e a mente a reconhecer os sinais naturais de fome, saciedade, vontade de comer e plenitude. Essa construção é o que garante autonomia e resultados duradouros.

Quando a medicação é suspensa, se a pessoa não desenvolveu esses recursos internos, é muito provável que ela volte aos padrões anteriores — e, consequentemente, recupere o peso perdido.

O Reganho de Peso Após Suspensão da Medicação: Por Que Acontece?

Esse é um dos pontos mais negligenciados quando se fala em Mounjaro para emagrecer: o que acontece depois?

Estudos já mostram que a maioria das pessoas que usa medicações para emagrecimento recupera o peso perdido em poucos meses após a suspensão. E isso não é falha da pessoa — é uma consequência previsível de um tratamento que não construiu base comportamental.

O metabolismo, que foi alterado artificialmente, tende a voltar ao padrão anterior. A percepção de fome e saciedade, que estava sendo controlada pela medicação, retorna. E, se a pessoa não aprendeu a fazer escolhas conscientes, a lidar com emoções sem comida e a construir uma rotina alimentar sustentável, o resultado é o reganho de peso.

Por isso, na nutrição comportamental, a gente trabalha com:

  • Autoconhecimento alimentar (por que eu como? quando eu como? o que sinto?)
  • Construção de rotina alimentar possível e prazerosa
  • Relação saudável com a comida, sem culpa ou compensação
  • Habilidades para lidar com gatilhos emocionais e situações desafiadoras

Essas são as ferramentas que sustentam o resultado a longo prazo, com ou sem medicação.

A Perda de Massa Magra e os Riscos de Desnutrição

Outro ponto gravíssimo: o emagrecimento rápido, especialmente quando não acompanhado por um nutricionista, pode resultar em perda acentuada de massa magra (músculo).

Isso acontece porque, quando o corpo emagrece muito rapidamente, ele não queima apenas gordura. Ele também consome proteína muscular como fonte de energia. E a perda de massa magra traz consequências sérias:

  • Diminuição do metabolismo basal (você passa a gastar menos calorias em repouso)
  • Perda de força e disposição
  • Maior risco de sarcopenia (perda muscular relacionada à idade)
  • Comprometimento da imunidade
  • Aumento do risco de fraturas e quedas

Além disso, se a alimentação não estiver adequada, a pessoa pode desenvolver desnutrição, mesmo emagrecendo. Isso porque o corpo precisa de proteínas, vitaminas, minerais e energia para funcionar bem.

Na nutrição comportamental, o planejamento alimentar leva em conta:

  • Ingestão adequada de proteínas para preservar massa magra
  • Variedade de alimentos para garantir micronutrientes
  • Energia suficiente para sustentar o metabolismo e a qualidade de vida
  • Estratégias para lidar com náuseas e falta de apetite (efeitos comuns do Mounjaro)

Tudo isso, aliado à prática de atividade física — especialmente treino de força —, garante que o emagrecimento seja saudável e sustentável.

Mudança de Estilo de Vida: A Única Solução Sustentável para Emagrecimento

Agora vamos ao que realmente importa: saúde é cuidado todo dia, não é uso de medicação.

O emagrecimento sustentável não vem de pílulas, injeções ou promessas milagrosas. Ele vem da construção de hábitos que fazem sentido para a sua vida, que respeitam sua rotina, suas emoções, sua história e seu corpo.

Na minha prática, trabalho com meus pacientes para construir:

  • Rotina alimentar possível: sem dietas restritivas, sem proibições, sem culpa
  • Regularidade nas refeições: comer de forma mais equilibrada ao longo do dia
  • Qualidade nutricional: escolher alimentos que nutrem o corpo e trazem prazer
  • Relação saudável com a comida: comer sem culpa, sem compensação, sem punição
  • Atenção aos sinais do corpo: fome, saciedade, plenitude, vontade de comer
  • Cuidado emocional: entender os gatilhos, lidar com ansiedade, estresse e outras emoções sem usar a comida como única válvula de escape
  • Sono de qualidade: fundamental para o metabolismo e para a regulação hormonal
  • Atividade física prazerosa: não precisa ser academia, precisa ser movimento que você goste e consiga manter

Esses pilares, quando bem construídos, garantem resultados duradouros, mais autonomia, menos efeito sanfona e, principalmente, mais saúde de verdade — não só estética.

O Desserviço de Profissionais que Receitam Medicações de Forma Indiscriminada

Essa notícia que o Fantástico trouxe é apenas mais uma das várias que estão associadas ao desserviço de saúde que muitos profissionais estão fazendo, receitando de forma indiscriminada a medicação. Os danos estão aí.

Prescrever Mounjaro para emagrecer sem critério, sem acompanhamento, sem avaliação adequada, é irresponsável. E, infelizmente, isso tem acontecido muito. Seja por pressão estética, seja por interesse financeiro, seja por falta de formação adequada, o fato é que muitas pessoas estão sendo colocadas em risco.

Como profissional de saúde, tenho responsabilidade ética e técnica de avaliar cada caso individualmente, de orientar com base em evidências científicas e de acompanhar meus pacientes de perto. E espero o mesmo de médicos, endocrinologistas e outros colegas da área.

A saúde das pessoas não pode ser tratada como mercadoria. E o emagrecimento não pode ser vendido como promessa rápida e sem esforço.

Conclusão: Saúde É Processo, Não Promessa Rápida

Se você está pensando em usar Mounjaro para emagrecer (ou já usa), não faça isso sozinha. Procure acompanhamento médico e nutricional. Faça uma avaliação completa, com histórico, exames e composição corporal, quando possível.

Alinhe um plano alimentar sustentável e um plano de movimento que façam sentido para a sua vida. Monitore sinais do corpo e efeitos colaterais. E, principalmente, revise suas metas: foco em saúde, não em pressa.

Saúde é construída todos os dias, com escolhas conscientes, com autocuidado, com respeito ao seu corpo e à sua história. E a nutrição comportamental está aqui para te ajudar nessa jornada, com acolhimento, sem julgamentos e com estratégias que realmente funcionam a longo prazo.

Vamos construir uma relação mais saudável, equilibrada e amorosa com a comida e com o seu corpo?

Vamos juntas? 💛

Com carinho,
Júlia Menezes
Nutricionista Comportamental e Integrativa

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Júlia Menezes

Nutricionista pela UFOP, Terapeuta corporal e Doula, com formações diversas em Terapia Cognitiva Comportamental, Saúde da Mulher e Ginecologia Natural, Terapia Cannábica, Terapia Sensorial. Propõe uma nutrição integrativa e gentil, que valoriza comida de verdade e respeita a história e ritmo de cada um. Sem dietas restritivas, tem como foco acolher o porquê das escolhas alimentares e como torná-las mais nutritivas e gostosas, envolvendo o contexto de vida, hábitos, sentimentos e demandas em saúde. Não se trata apenas de alimentação, mas de tudo que de alguma forma está relacionado a ela, sendo o conhecimento, consciência e prazer, as chaves para se estar em paz com a comida e corpo.

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